Os novos Deuses - drsilva

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Os novos Deuses - drsilva

Mensagem por joaofld em Seg 25 Mar 2013, 11:46

Por drsilva

Um. Sexta-feira, 14 de novembro, 288.


A lua cheia brilhava em um céu sem nuvens. Atrás dela a aurora resplandecia em múltiples cores que quase ofuscavam as estrelas nas noites mais claras. Aquele fenômeno se chamava aurora boreal, e antes de o mundo haver se transformado em uma bola de gelo era visível apenas no extremo norte. Agora, no entanto, no ano de duzentos e oitenta e oito da nova era, se podia ver o fenômeno em pleno hemisfério sul.
A área que por enquanto era poupada do grande congelamento tinha forma ovoide, e aproximadamente quatrocentos quilômetros de raio no sentido leste oeste e trezentos em sentido norte sul. Um verdadeiro rio de magma emergia pela superfície da terra no extremo leste do desgelo, serpenteava por seis quilômetros e depois desaparecia em um sumidouro, e a partir desse ponto uma linha com dezoito vulcões ativos cruzava toda região em sentido oeste, emitindo calor suficiente para impedir o avanço das muralhas glaciais de mais de cinquenta metros de altura, e possibilitava a existência de vida humana naquele, que provavelmente era o único sitio ainda capaz de alberga-la. Uma floresta havia crescido de maneira vigorosa, reclamando para si praticamente tudo que havia uma vez sido ocupado pelo homem.
Na antiga estrada que unia o vilarejo de Iporá ao de São Luiz ainda restavam alguns vestígios de placas de asfalto, raros remanescentes de um passado já esquecido quase que por completo. Em alguns pontos, estava totalmente tomada pela vegetação, em outros, como o que aquele grupo havia escolhido para montar acampamento existiam clareiras rodeadas por arvores de copas enormes, mas em sua maioria era apenas uma trilha, que tinha a ambos os lados arvores com mais de trinta metros de altura. Em outros trechos era impossível seguir, e era necessário buscar um caminho alternativo. Mesmo assim esta era uma ligação melhor que do que a que havia entre as demais comunidades, e os prefeitos de ambas as vilas faziam o possível por mantê-la transitável, enviando esporadicamente alguns grupos para um infrutífero trabalho de manutenção.
O vento não açoitava tanto aquela noite, por isso foi possível para os homens acampar em torno de uma fogueira. O fogo fazia o frio um pouco mais suportável. Outra fogueira foi acesa para aquecer as mulas e o pequeno rebanho de gado.
A neve não caia há alguns dias, mas ainda cobria a maioria do caminho, molhando tudo, à medida que derretia. A Marcha se fazia muito lenta naquela estação do ano. Dez dias para cruzar cem quilômetros. Em dias secos se podia fazer o mesmo trajeto em menos da metade do tempo. Mas as pessoas daquele grupo não podiam esperar. As emergências nunca podem.
Bruno se sentava em uma pedra, um pouco afastado da fogueira. Vestido com uma enorme manta negra de couro de vaca acolchoada com lã que o protegia do frio. Presente da esposa que a havia costurado com as próprias mãos. Ele contemplava o que restava de uma construção agora tomada pelas plantas.
Tirou o tabaco do saquinho em que o carregava, e encheu o cachimbo. Gostava de fumar depois das refeições. Caminhou até a beira da fogueira e retirou um graveto comprido que estava com a ponta em brasas. Depois retornou até a pedra onde estava, usou a brasa para acender o cachimbo e começou a fumar.
O grupo era constituído por quinze soldados, um médico e um padre. Não um padre como os católicos que viviam na vila vaticano, mas um da nova religião, a dos alienígenas. Bruno era o médico. Nunca havia visto a um sujeito como aquele, até o dia em que apareceu no vilarejo acompanhado pelo velho a quem chamava de mestre. Rodrigo era do sujeito. Um tipo magro, careca, e com alguns hábitos um tanto excêntricos. Aquela noite, por exemplo, havia abandonado a proteção do grupo, e o calor da fogueira para passar a noite em cima de um dos montes nevados alguns quilômetros à frente, disse que ia pedir aos deuses auxilio para os enfermos. Bruno riu, gostaria que as coisas fossem assim tão fáceis. Calculava que o padre devia ter uns trinta anos, que era a sua própria idade, e provavelmente estaria congelando no topo do morro naquele momento.
Os soldados eram parte do corpo militar de Iporá, que contava atualmente com mil e duzentos homens. Haviam sido enviados como ajuda ao vilarejo vizinho.
Bruno estava preocupado, o exercito de São Luiz era um dos maiores da região, e não havia resistido ao ataque dos proscritos. A gangue vinha se tornando cada vez maior e mais perigosa nos últimos anos. Os ataques estavam se tornando cada vez mais ousados, e agora chegaram ao ponto de atacar uma vila com mais de dez mil habitantes.
Ele acreditava que os prefeitos das quinze vilas deveriam agir e unir forças o mais rápido possível, antes que a ameaça se tornasse grande demais para ser controlada.
_O Exercito vai necessitar de médicos.
Bruno teve um sobressalto. Era o tenente Antonio que tinha se aproximado sem ser percebido. Ele havia comentado aquilo na noite anterior, quando Bruno havia exposto a sua opinião sobre o assunto. Se os prefeitos realmente fossem organizar um exercito para combater aos proscritos iriam necessitar de médicos. O problema era que quase não havia médicos. O conhecimento atualmente era transmitido em quase todos os casos de pai para filho. Poucas pessoas se interessavam pela profissão. Ele atendia sozinho, Iporá, e toda uma região com quase cem quilômetros de raio em praticamente todas as direções. O Tenente dizia que ele tinha a obrigação moral de acompanhar o exercito caso fosse requisitado. Bruno concordava com ele.
_Você acredita que os prefeitos vão tomar alguma atitude? Bruno perguntou. Os vilarejos funcionavam como pequenas cidades estado, completamente independentes umas das outras. Raramente se intrometiam nos problemas das outras.
_Acredito que sim. Respondeu o tenente. O nosso prefeito já enviou mensagens a todos os vilarejos vizinhos. _Ele quer que todos cedam uma porcentagem de homens para formar um exercito comum e proteger a região. _ O problema vai ser a disputa para ver quem vai liderar o exercito.
Bruno não sabia daquilo. Para ele pouco importava quem ia liderar, embora entendesse bem em que implicava esse fato. Ele era um homem pratico, sabia que em momentos de crise, a velocidade com que eram tomadas as decisões tinha uma importância fundamental. Por isso, a noticia o aliviou.
_É necessário agir rápido. Disse Bruno enfatizando o seu ponto de vista.
_O mensageiro disse que São Luiz foi atacado, por pelo menos, por seiscentos homens. _Vai ser uma tarefa muito difícil reunir um exercito grande o suficiente para combater de forma eficaz a esses tipos. _Por tanto. Continuou Antonio. _Não acho que seja possível se reagir em curto prazo. _Essas coisas levam tempo, especialmente no que diz respeito à política. _Alguns prefeitos preferem entregar a cidade nas mãos dos proscritos do que ceder o controle de um exército aos rivais.
_O que se pode fazer então? Perguntou Bruno que não havia gostado do que tinha ouvido.
_Se fosse eu enviaria pequenos grupos para patrulhar em todas as partes. Disse Antonio. _Um grupo desse tamanho com certeza deve ter um acampamento fixo. _Não acredito que estejam simplesmente vagando por aí. ¬_É preciso obter informações sobre o inimigo, sobre a constituição do exercito, o ataque foi organizado. _Isso é bastante óbvio, mas é necessário saber o quanto. _E o líder, é necessário conhecer quem é o homem responsável por essa mudança no comportamento desse bando. _Seiscentos homens, foi o que disse o mensageiro. _Menos homens do que possuía São Luiz, e mesmo assim conseguiram ultrapassar a muralha e invadir a cidade. O tenente caminhou um pouco, e acendeu um cigarro. _Muitas vezes se pode desbaratar um exercito apenas derrubando o seu comandante.
Antonio era sincero. Bruno admirava isso no militar, que já devia ter uns cinqüenta anos, mas estava em muito boa forma. Bruno Conhecia bem a Antonio que era amigo do pai há muito tempo. Cultivava uma vasta barba branca que atingia a altura do peito, o que lhe conferia um aspecto engraçado, quando associado a sua postura militar.
_Quando voltamos pra casa? Perguntou Bruno mudando um pouco de assunto. Não queria estar fora, caso algo similar ao que aconteceu no vilarejo vizinho acontecesse em Iporá.
_ Não demoramos muito. Respondeu o tenente. _Se tudo correr bem. Tenho que conversar com alguns dos meus colegas que conseguiram sobreviver ao ataque. _Não se preocupe. Disse em um tom alentador. _Não imagino que aconteça outro ataque agora. _Eles estão abastecidos. _Roubaram o rebanho, e praticamente tudo que tinha valor de São Luiz. _ Vão demorar um tempo antes de consumir tudo.
_Esse bando não pode ser aquele que atacou aos comerciantes? Perguntou Bruno. Ele já tinha ouvido falar de um grupo de duzentos proscritos que havia atacado a uma caravana de comerciantes, há dois anos. Essa noticia espalhou o medo pelas vilas. Cerca de cinqüenta mercadores, trazendo mercadoria das regiões próximas a área do congelamento foram massacrados. Todos assassinados. Outra caravana encontrou os corpos congelados amontoados dias depois do ataque.
_Já pensei nisso. Respondeu Antonio. _Mas não há como saber. _Temos que esperar que o prefeito tenha tempo para colocar o plano em ação. _Que esse grupo de proscritos é mais perigoso, é um fato, mas ainda vão demorar algum tempo pra atacar outra vila. _Vamos esperar que seja suficiente. _É inútil ficar tentando prever o futuro. _O que se pode fazer é se preparar o melhor possível para enfrentar a ameaça, quando chegar o momento.
_Vou descansar. Disse o tenente depois de um tempo. _Amanha vai ser um longo dia. Depois saiu em direção a barraca que estava ao lado da estrada.
Bruno sabia que devia descansar, mesmo assim permaneceu por um longo tempo ainda acordado, sentado na pedra onde estava. E quando finalmente dormiu, por volta das três horas da madrugada, sonhou com guerra.
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Re: Os novos Deuses - drsilva

Mensagem por joaofld em Qui 28 Mar 2013, 13:59

Oi, drsilva.

Demorei um pouco, mas li seu texto.

Ainda não tinha visto (acho que por não ter muito contato) uma obra de Ficção Científica passada em território brasileiro. (Aliás, acho que já vi, mas não me recordo.)

Como o seu texto não tem um fim, ele parece ser mais longo, talvez, um romance. Eu achei interessante e continuaria lendo, caso tivesse adquirido o livro.

Vou fazer algumas observações/revisão de texto e depois, tentar alguma interpretação.

Deixar claro que o que estou colocando abaixo são sugestões e que eu posso não estar percebendo alguma coisa, como aconteceu com o sol solitário da tradução do José Geraldo :-S!

Revisão

Atrás dela a aurora resplandecia em múltiples cores que quase ofuscavam as estrelas nas noites mais claras

1 - Falta uma vírgula depois de dela;

2 - múltiplas

Aquele fenômeno se chamava aurora boreal, e antes de o mundo haver se transformado em uma bola de gelo era visível apenas no extremo norte.

1 - a vírgula depois de boreal sai.

2 - penso que essa parte fiaria assim: Aquele fenômeno se chamava aurora boreal e antes, de o mundo haver se transformado em uma bola de gelo, era visível, apenas, no extremo norte.

Em alguns pontos, estava totalmente tomada pela vegetação, em outros, como o que aquele grupo havia escolhido para montar acampamento existiam clareiras rodeadas por arvores de copas enormes, mas em sua maioria era apenas uma trilha, que tinha a ambos os lados arvores com mais de trinta metros de altura. Em outros trechos era impossível seguir, e era necessário buscar um caminho alternativo.

1 - vírgula depois de acampamento

2 - a organização da informação: você insere uma informação sobre as trilhas quando está falando das árvores. Talvez, juntar a informação sobre a altura das árvore e colocar depois, a informação sobre as trilhas. Sugestão: Em alguns pontos, estava totalmente tomada pela vegetação, em outros, como o que aquele grupo havia escolhido montar acampamento, existiam clareiras rodeadas por árvores de copas enormes, com mais de trinta metros de altura, mas em sua maioria era apenas uma trilha.

3 - Depois de seguir, tira o e. Pode deixar só a vírgula.

Nunca havia visto a um sujeito como aquele, até o dia em que apareceu no vilarejo acompanhado pelo velho a quem chamava de mestre. Rodrigo era do sujeito. Um tipo magro, careca, e com alguns hábitos um tanto excêntricos.

1 - parece que ficou faltando alguma coisa na primeira frase.

Os vilarejos funcionavam como pequenas cidades estado, completamente independentes umas das outras. Raramente se intrometiam nos problemas das outras.

1 - Nesse caso, como o seu ponto de referência é vilarejos, você precisa mudar o gênero: uns dos outros.

_Acredito que sim. Respondeu o tenente. O nosso prefeito já enviou mensagens a todos os vilarejos vizinhos. _Ele quer que todos cedam uma porcentagem de homens para formar um exercito comum e proteger a região. _ O problema vai ser a disputa para ver quem vai liderar o exercito.

1 - Todas essas falas são do tenente Antônio? Se não, eu sugeriria que você separasse as falas dos personagens como num diálogo tradicional. Descomplica a leitura. Mas, se forem todas do mesmo personagem, seria melhor usar outra separação que não seja o travessão. Eu sei que esse sinal dá a ideia de nova fala, mas em grande parte é usado em mudança de fala de um personagem para outro. Mas, talvez, a questão seja dar uma noção de tempo entre as falas e, nesse caso, seria melhor usar recursos linguísticos, mesmo: "depois de um tempo em silêncio", "falando com espaço demorado entre as falas". Saca?

Para ele pouco importava quem ia liderar, embora entendesse bem em que implicava esse fato.

1 - só acentuar o quê!

Todas as falas separadas por travessão: _O mensageiro disse que São Luiz foi atacado, por pelo menos, por seiscentos homens. _Vai ser uma tarefa muito difícil reunir um exercito grande o suficiente para combater de forma eficaz a esses tipos. _Por tanto. Continuou Antonio. _Não acho que seja possível se reagir em curto prazo. _Essas coisas levam tempo, especialmente no que diz respeito à política. _Alguns prefeitos preferem entregar a cidade nas mãos dos proscritos do que ceder o controle de um exército aos rivais.

_Se fosse eu enviaria pequenos grupos para patrulhar em todas as partes. Disse Antonio. _Um grupo desse tamanho com certeza deve ter um acampamento fixo. _Não acredito que estejam simplesmente vagando por aí. ¬_É preciso obter informações sobre o inimigo, sobre a constituição do exercito, o ataque foi organizado. _Isso é bastante óbvio, mas é necessário saber o quanto. _E o líder, é necessário conhecer quem é o homem responsável por essa mudança no comportamento desse bando. _Seiscentos homens, foi o que disse o mensageiro. _Menos homens do que possuía São Luiz, e mesmo assim conseguiram ultrapassar a muralha e invadir a cidade. O tenente caminhou um pouco, e acendeu um cigarro. _Muitas vezes se pode desbaratar um exercito apenas derrubando o seu comandante.

_ Não demoramos muito. Respondeu o tenente. _Se tudo correr bem. Tenho que conversar com alguns dos meus colegas que conseguiram sobreviver ao ataque. _Não se preocupe. Disse em um tom alentador. _Não imagino que aconteça outro ataque agora. _Eles estão abastecidos. _Roubaram o rebanho, e praticamente tudo que tinha valor de São Luiz. _ Vão demorar um tempo antes de consumir tudo.

_Já pensei nisso. Respondeu Antonio. _Mas não há como saber. _Temos que esperar que o prefeito tenha tempo para colocar o plano em ação. _Que esse grupo de proscritos é mais perigoso, é um fato, mas ainda vão demorar algum tempo pra atacar outra vila. _Vamos esperar que seja suficiente. _É inútil ficar tentando prever o futuro. _O que se pode fazer é se preparar o melhor possível para enfrentar a ameaça, quando chegar o momento.

_Vou descansar. Disse o tenente depois de um tempo. _Amanha vai ser um longo dia. Depois saiu em direção a barraca que estava ao lado da estrada.


1 - eu juntei todos esses parágrafos, pois eles dificultam a compreensão de quem fala o quê.

Sobre os elementos da história.

Apesar de esse começo não dar muita ideia do que vai vir adiante, vou fazer alguns chutes.

Você tem uma entrada tradicional. Você foca num personagem "ateu" para tratar dos deuses alienígenas, novos. A pegada do Rodrigo, algo meio "Jesus orando sozinho no monte das Oliveiras" é simpática. Então, os deuses agirão ou estão agindo na vida Bruno?

Sobre o jeito militar que você empregou, ele me parece muito mais um militar estadunidense que um militar brasileiro. Mas, como você está colocando as coisas num futuro, talvez, você possa construir uma explicação para esse sotaque americano. Mas, eu preciso reconhecer que é meio difícil saber o sotaque do militar brasileiro. Algumas entrevistas no youtube pode ajudar. Talvez...

Tentativa de interpretação:

Uma grande catástrofe faz com que retornemos ao passado, ao modo tribal de raciocínio. (Leia esse texto do José Geraldo, aqui no fórum: “O Meio É a Mensagem”: Como McLuhan prevê o que acontecerá com a literatura)

O engraçado é essa tentativa de recuperar o prestígio do homem como agente de comando. Mesmo depois de um futuro de muitas transformações, não temos uma Tenente, mas Um Tenente. Quero deixar bem claro que isso não é uma crítica, é uma constatação. Por exemplo, quem representa os deuses, também, é alguém do gênero masculino. Aliás, as figuras que você utiliza tem uma conexão com o aspecto masculino muito forte: militar, médico, padre etc.

Talvez, seja algo a se refletir sobre.

De novo, o texto ainda está no começo (é o que parece) e a história nem começou direito, então, boa parte do que falei não leva em consideração o que você está escrevendo e ainda não divulgou.

Coloca o resto. Quero continuar lendo a história. Very Happy

Abraço!
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